CICLOS BIOGEOQUÍMICOS















 















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Glossário Ambiental
Dicionário de Ecologia

SAÚDE - APARELHO RESPIRATÓRIO


A saúde humana e o sistema respiratório 

     
     O oxigênio contido no ar atmosférico chega ao interior do nosso corpo pelo sistema respiratório. 

  Com o ar, além do oxigênio podem ser absorvidas outras substâncias, partículas de poeira, fuligem, e até seres vivos microscópicos, como os vírus e as bactérias, capazes de causar danos à nossa saúde. Algumas impurezas são “filtradas” m diversos órgãos do sistema respiratório, mas outras conseguem passar até os pulmões, provocando doenças. As doenças mais comuns que atingem o sistema respiratório podem ser de natureza infecciosa ou alérgica. 




Doenças infecciosas 

Gripe e resfriado 

A gripe é uma doença bastante comum e infecciosa, causada pelo vírus Influenza, descoberto em 1933. Existem relatos da gripe desde o século V a.C, no tempo de Hipócrates. Daí em diante foram feitos vários relatos descrevendo a morte de milhões de pessoas em conseqüência da gripe. Essas epidemias eram vistas no passado, como uma conseqüência da influência dos astros, daí surgiu o nome do vírus: Influenza. Já ocorreram algumas sérias epidemias de gripe ao longo da história, como a gripe espanhola, asiática e a de Hong Kong. Baseando-se nos resultados das três maiores pandemias da história, soma-se mais de 1,5 milhões de pessoas mortas e um prejuízo de 32 bilhões de dólares. De fato, hoje em dia a gripe não é uma doença preocupante, visto que a doença evolui, na generalidade, de forma benigna, sem necessidade de grandes medidas terapêuticas, além de existir vacina para sua prevenção. 

A doença é altamente contagiosa, sua transmissão se dá através das partículas da saliva de uma pessoa infectada, expelidas através da respiração, da fala, da tosse e dos espirros. Além disso, o período de incubação da gripe é em média de 2 dias. 
Os sintomas da doença são: mal-estar, febre elevada (38-39ºC), arrepios, dores musculares, dor de cabeça, corrimento nasal, entupimento nasal. A gripe pode se tornar grave, principalmente para as pessoas idosas, gestantes ou debilitadas por doenças crônicas. 
A gripe normalmente acaba de forma natural, resultado da capacidade imunológica de cada indivíduo. É recomendável descansar bastante e se alimentar bem; beber muito líquido, como sumos de frutas ou água; umedecer os ambientes na medida do possível; usar lenços ao tossir ou espirrar para evitar a contaminação de outras pessoas e procurar orientação médica. 

Bronquite 

Bronquite é a inflamação dos brônquios que ocorre quando seus minúsculos cílios param de eliminar o muco presente nas vias respiratórias. Esse acúmulo de secreção faz com que os brônquios fiquem permanentemente inflamados e contraídos. A bronquite pode ser aguda ou crônica. A diferença consiste na duração e agravamento das crises, que são mais curtas (uma ou duas semanas) na bronquite aguda, enquanto, na crônica, não desaparecem e pioram pela manhã. 

A bronquite aguda é causada geralmente por vírus, embora, em alguns casos, possa ser uma infecção bacteriana. O cigarro é o principal responsável pelo agravamento da doença. Poeiras, poluentes ambientais e químicos também pioram o quadro. 

A bronquite crônica instala-se como extensão da bronquite aguda e pode ser provocada unicamente pela fumaça do cigarro. Por isso, é conhecida por “tosse dos fumantes”, por ser rara entre não-fumantes. 

Tanto na forma aguda quanto na crônica, a tosse é o principal sintoma da bronquite. Tosse seca ou produtiva podem ser manifestações da bronquite aguda. Na crônica, porém, a tosse é sempre produtiva e a expectoração, espessa. Falta de ar e chiado são outros sintomas da doença.


APARELHO RESPIRATÓRIO HUMANO



     A respiração ocorre dia e noite, sem parar. Nós podemos sobreviver determinado tempo sem alimentação, mas não conseguimos ficar sem respirar por mais de alguns poucos minutos. Você sabe que todos os seres vivos precisam de energia para viver e que essa energia é obtida dos alimentos. O nosso organismo obtém energia dos alimentos pelo processo da respiração celular, realizada nas mitocôndrias, com a participação do gás oxigênio obtido no ambiente. Portanto, a palavra respiração é utilizada comumente para designar dois processos diferentes, a respiração celular e as trocas gasosas dos organismos, NÃO ESQUEÇA que cientificamente o termo respiração é restrito a respiração celular. 

· Respiração Celular – Produção de ATP (moeda energética da célula) através da quebra da glicose em gás carbônico e água, utilizando-se oxigênio. 

· Hematose – Trocas gasosas. 

O sistema respiratório 



       O sistema respiratório humano é formado pelos seguintes órgãos, em seqüência: nariz, faringe, laringe, traqueia  brônquios e pulmões. 
       
      Na respiração ocorrem dois tipos de movimento: a inspiração e a expiração de ar. Na inspiração, o ar atmosférico penetra pelo nariz e chega aos pulmões; na expiração, o ar presente nos pulmões é eliminado para o ambiente externo.
    O ar entra em nosso corpo por duas cavidades existentes no nariz: as cavidades nasais direita e esquerda. Elas são separadas completamente por uma estrutura chamada septo nasal; comunicam-se com o exterior pelas aberturas denominadas narinas e com a faringe pelos cóanos. As cavidades nasais são revestidas internamente pela mucosa nasal. Essa mucosa contém um conjunto de pelos junto as narinas e fabrica uma secreção viscosa chamada muco. 
       Os pelos e o muco atuam como filtros capazes de reter microrganismos e partículas sólidas diversas que penetram no nariz com o ar. Por isso, devemos inspirar pelo nariz e não pela boca: o ar inspirado pelo nariz chega aos pulmões mais limpo do que o ar inspirado pela boca. Além de filtrado, o ar é também adequadamente aquecido e umidificado no nariz. 

Órgãos do sistema respiratório
Faringe: é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório e comunica-se com a boca e com as fossas nasais. O ar inspirado pelas narinas ou pela boca passa necessariamente pela faringe, antes de atingir a laringe. 

Laringe: é um tubo sustentado por peças de cartilagem articuladas, situado na parte superior do pescoço, em continuação à faringe. O pomo-de-adão, saliência que aparece no pescoço, faz parte de uma das peças cartilaginosas da laringe. A entrada da laringe chama-se glote. Acima dela existe uma espécie de “lingüeta” de cartilagem denominada epiglote, que funciona como válvula. Quando nos alimentamos, a laringe sobe e sua entrada é fechada pela epiglote. Isso impede que o alimento ingerido penetre nas vias respiratórias.


















O epitélio que reveste a laringe apresenta pregas, as cordas vocais, capazes de produzir sons durante a passagem de ar.


Traqueia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm de diâmetro por 10- 12 centímetros de comprimento, cujas paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-se na sua região inferior, originando os brônquios, que penetram nos pulmões. Seu epitélio de revestimento muco-ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes em suspensão no ar inalado, que são posteriormente varridas para fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ou expelidas.

Pulmões: Os pulmões humanos são órgãos esponjosos, com aproximadamente 25 cm de comprimento, sendo envolvidos por uma membrana serosa denominada pleura. Nos pulmões os brônquios ramificam-se profusamente, dando origem a tubos cada vez mais finos, os bronquíolos. O conjunto altamente ramificado de bronquíolos é a árvore brônquica ou árvore respiratória. 
Cada bronquíolo termina em pequenas bolsas formadas por células epiteliais achatadas (tecido epitelial pavimentoso) recobertas por capilares sanguíneos, denominadas alvéolos pulmonares. 

Diafragma: A base de cada pulmão apoia-se no diafragma, órgão músculo-membranoso que separa o tórax do abdômen, presente apenas em mamíferos, promovendo, juntamente com os músculos intercostais, os movimentos respiratórios. Localizado logo acima do estômago, o nervo frênico controla os movimentos do diafragma 

O trabalho dos alvéolos pulmonares 


Os alvéolos são estruturas elásticas, formadas por uma membrana bem fina e envolvida por uma rede de vasos capilares sanguíneos.
Existem milhões de alvéolos em cada pulmão. É em cada um deles que ocorrem as trocas gasosas entre o pulmão e o sangue. Nos alvéolos ocorre uma difusão dos gases por diferença de concentração e, consequentemente, da pressão dos gases. O sangue que chega aos alvéolos absorve o gás oxigênio inspirado da atmosfera. Ao mesmo tempo, o sangue elimina gás carbônico no interior dos alvéolos; esse gás é então expelido do corpo por meio da expiração. 

Os movimentos respiratórios 

Na inspiração, o diafragma e os músculos intercostais se contraem. Ao se contrair, o diafragma desce e a cavidade torácica aumenta de volume verticalmente. Quando os músculos intercostais contraem, eles levam as costelas e o volume da cavidade torácica aumenta horizontalmente. Com o aumento do volume do tórax, a pressão do ar no interior da cavidade torácica e dos pulmões diminui. Então, a pressão do ar atmosférico torna-se maior que a pressão do ar interno, e o ar atmosférico penetra no corpo indo até os alvéolos pulmonares: é a inspiração. 

Num segundo movimento, o diafragma e os músculos intercostais relaxam, diminuindo o volume da cavidade torácica. Então, a pressão do ar interno (no interior dos pulmões) aumenta, tornando-se maior que a pressão atmosférica. Assim, o ar sai do corpo para o ambiente externo: é a expiração. 

Nos alvéolos pulmonares, o gás oxigênio, presente no ar inspirado, passa para o sangue que é então distribuído pelas hemácias a todas as células vivas do organismo. Ao mesmo tempo, as células vivas liberam gás carbônico no sangue. Nos pulmões, o gás carbônico passa do sangue para o interior dos alvéolos e é eliminado para o ambiente externo por meio da expiração. 

A regulação da respiração 



As pessoas conseguem ficarem alguns segundos sem respirar. Também é possível respirar mais rápido ou mais devagar. Nessas situações, a respiração é controlada voluntariamente, isto é, conforme a vontade da pessoa, e a atividade do diafragma e dos músculos intercostais são reguladas por uma região do cérebro da pessoa. 

Entretanto, quando uma pessoa não está “pensando” na respiração ou quando está dormindo, por exemplo, a atividade do diafragma e dos músculos intercostais é regulada por um órgão do sistema nervoso chamado bulbo, situado um pouco abaixo do cérebro. Esse controle é involuntário, independe da nossa vontade. O bulbo apresenta um grupo de neurônios que controla o ritmo respiratório. 

Uma pessoa não pode prender a respiração, além de algum tempo, mesmo que queira. Parando de respirar, o gás carbônico deixa de ser eliminado pelo sangue da pessoa para o ambiente externo. A concentração desse gás aumenta no sangue e, ao atingir determinado nível, o bulbo volta a comandar a respiração, regulando a atividade de contração e relaxamento do diafragma e dos músculos intercostais. A pessoa então reinicia a respiração, mesmo que não queira.



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RESPIRAÇÃO

 











GENÉTICA - DNA


 
DNA
 
Substância química envolvida na transmissão de caracteres hereditários.
Esta substância química é composta por ácidos nucleicos. Estes, por sua vez, são formados por nucleotídeos que são feitos de uma desoxirribose (pentose), um grupo fosfato e uma base nitrogenada.
Nos ácidos nucleicos podem identificar-se três constituintes fundamentais:
  • Ácido fosfórico - confere aos ácidos nucleicos as suas características ácidas. Faz as ligações entre nucleotídeos de uma mesma cadeia. Está presente no DNA e no RNA.
  • Pentoses - como o próprio nome descreve, é um açúcar formado por cinco carbonos. Ocorrem dois tipos: a desoxirribose e a ribose.
  • Base nitrogenada - há cinco bases azotadas diferentes, divididas em dois grupos:
  
 
 
 
 
 
DNA é a sigla para o nome da substância química: ácido desoxirribonucleico. O nome desoxirribonucleico é devido à pentose desoxirribose. De acordo com a moderna Biologia, o DNA faz RNA, que faz proteína (embora existam exceções, como os retrovírus e o vírus da Aids). O que a diferencia o DNA  do RNA é a pentose, que no RNA é uma ribose.
 
 
 
 

 

HISTÓRIA - Revolução Francesa


Arco do Triunfo - monumento, localizado na cidade de Paris, construído em comemoração às vitórias militares de Napoelão Bonaparte, o qual ordenou a sua construção em 1806.


   A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, embora tivesse tido a participação de outras camadas sociais como camponeses e massas pobres urbanas, devido à liderança conduzida pela burguesia para realizar suas aspirações.  Aniquilando o absolutismo, a política mercantilista, os resquícios do feudalismo ainda existentes na França e o poder do clero e da nobreza, a revolução pôs fim ao Antigo Regime, sendo escolhida por estudiosos como fato determinante para o início da Idade Contemporânea.
    Influenciados por ideias iluministas, os revolucionários franceses tinham como lema a “liberdade, igualdade e fraternidade”. Sua influência motivou revoltas em toda a Europa e os movimentos de independência na América Latina. 
As causasA Revolução Francesa foi provocada basicamente por três fatores principais: 
 •Fatores Econômicos: A França no final do século XVIII era uma nação essencialmente agrária, com uma produção agrícola estruturada no modelo feudal. A grande maioria da população francesa era constituída de camponeses. E uma parte desses camponeses ainda estava submetida a obrigações feudais;

•Fatores Sociais: A população, estimada em 25 milhões de pessoas, era dividida em três estamentos. O primeiro estado (clero) composto por aproximadamente 150 mil pessoas, o segundo estado (nobreza) com mais ou menos 350 mil pessoas e o terceiro estado (povo dividido em camponeses, burguesia e sans-culotes) com mais de 24 milhões de pessoas. O clero e a nobreza tinham vários privilégios como não pagar impostos, receber pensões do estado e exercer cargos públicos;

•Fatores Políticos: O absolutismo do rei francês Luis XVI, a crise econômica que passava a França em 1789, a fome e miséria da população causada pela seca e péssimas colheitas e o sistema político injusto como o da Assembleia dos Estados Gerais, exigiam reformas urgentes.

   A seca de 1788 diminuiu a produção de ali­mentos. Os preços subiram e os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois que a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura que lhe custou 2 bilhões de libras. O descontentamento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos.   
    Luís XVI encarregou o ministro Turgot de realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram e ele se demitiu. O rei então indicou Calonne, que convocou a Assembleia dos Notáveis, de nobres e clérigos (1787). O ministro propôs que esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários e pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.
   O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, que não se reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembleia realizaram-se em abril de 1789 e coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano.  
    Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni­ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja, tinha maioria absoluta.


   O terceiro estado se rebelou na última Assembleia convocada pelo rei, elegeu representantes do povo e decidiram elaborar uma constituição que limitasse os poderes do rei e eliminasse os privilégios do clero e da nobreza. Formaram então a Assembleia Nacional Constituinte. 
   Embora o rei aceitasse a convocação da Assembleia no início, no mês de julho de 1789, logo ele voltou atrás demitindo os ministros que elaboraram uma ampla reforma, revoltando toda a população de Paris que, furiosa, invadiu e destruiu a fortaleza da Bastilha em 14 de julho de 1789, símbolo do absolutismo dos reis franceses. 
   O clima de revolta espalhou-se pelo país. Os camponeses invadiram as terras do clero e da nobreza assassinando os donos e saqueando a produção. Nas cidades a violência não era menor. Os líderes de revolução foram Danton, Marat e Robespierre, que chegou a governar o país após o guilhotinamento do rei Luis XVI. 
   Diante disso, a Assembleia Nacional Constituinte aprovou no mês de agosto de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

 As fases da revolução foram:

•Assembleia Nacional Constituinte: 1789-1791;
•Monarquia Constitucional: 1791-1792;
•Proclamação da República e Convenção Nacional: 1792-1795;
•Governo do Diretório: 1795-1799.

    Os revolucionários franceses criaram em 1792 um calendário novo caracterizando os nomes dos meses baseados nas condições climáticas e agrícolas das estações em cada mês na França. O ano começava no equinócio de outono. O primeiro mês chamava-se vindimário (em referência a Víndima ou colheita de uvas), seguiam-se o brumário (relativo à bruma ou nevoeiro), o frimário (mês das geadas ou frimas em francês), o nivoso (referente à neve), o pluvioso (chuvoso), o ventoso, o germinal (relativo à germinação das sementes), o floreal (mês das flores), o pradial (em referência a prados), o messidor (nome originário de messis, palavra latina que significa colheita), o termidor (referente ao calor) e o frutidor (relativo aos frutos); como cada mês tinha trinta dias sobrava cinco dias no final do ano (de 17 a 21 de setembro): eram os dias dos sans culottes, considerados feriados nacionais. 
   Vários foram os símbolos da revolução como a bandeira de três cores (azul, branca e vermelha), o hino a Marselhesa, o barrete frígio (gorro vermelho), a guilhotina, o lema liberdade, igualdade e fraternidade.
  Depois de 10 anos de lutas, no dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário no calendário revolucionário) o general Napoleão Bonaparte, com o apoio de influentes políticos burgueses, dissolveu o Diretório e estabeleceu um novo governo denominado Consulado. 
  A revolução Francesa espalhou os ideais iluministas ao mundo como a república, divisão em três poderes, eleições, luta por liberdade, sistema métrico universal, fim dos privilégio feudais, do absolutismo monárquico, dos poderes ilimitados da nobreza e da igreja e o início da idade Contemporânea.

HISTÓRIA - Eric Hobsbawm

              

       Morreu na segunda-feira, 1º, aos 95 anos, o historiador britânico Eric Hobsbawm, depois de uma longa pneumonia que o manteve internado por meses em Londres. Era considerado um dos mais importantes historiadores do século 20, autor de mais de 30 livros traduzidos em todo o mundo. Com a trilogia Era das revoluções, Era do capital e Era dos impérios, que fez parte da formação de várias gerações – no Brasil foi um dos livros mais estudados em cursos das áreas de ciências humanas a partir dos anos 1970 – Hobsbawm analisou o que chamava de “o longo século 19”, período que vai de 1789 a 1914, ou seja, das revoluções europeias às vésperas da Primeira Guerra Mundial. 
       No livro que deu sequência ao conjunto, Era dos extremos, Hobsbawm retratou, em contrapartida, o “curto século 20”, que vai da Primeira Guerra à queda do Muro de Berlim e à derrocada da União Soviética e dos países comunistas europeus. Seus livros, mesmo marcados pela metodologia marxista, não se limitavam ao enfoque político-econômico, tendo sempre grande sensibilidade para as questões culturais. 
         Hobsbawm era grande conhecedor de jazz, tendo escrito artigos sobre o tema, assinando como Francis Newton, para a revista New Statesman. Chegou a publicar uma prestigiada História social do jazz. Em tempo: o pseudônimo usando pelo historiador era uma homenagem ao trompetista de Billie Holiday, que era comunista. Além dos livros sobre grandes períodos históricos, Hobsbawm tinha interesse por movimentos revolucionários, agitadores pré-políticos e banditismo social.
       Eric nasceu em uma família judia em Alexandria, no Egito, em 1917, na época em que o país árabe era uma colônia britânica. Aos 2 anos, mudou-se para Berlim. Órfão desde a adolescência, foi adotado com a irmã Nancy, por tios que os levaram para morar em Londres, em 1933, quando Adolf Hitler começava a ganhar poder na Alemanha. 
      O historiador filiou-se ao Partido Comunista inglês em 1936, permanecendo ligado a ele durante décadas até se desiludir com a União Soviética, depois da invasão da Hungria, em 1956. Esteve também vinculado ao Partido Trabalhista britânico, de esquerda. Naturalizado inglês, chegou a ser descrito pelo ex-líder trabalhista Neil Kinnock como “meu marxista favorito”. Em 1978, entrou para a Academia Britânica.
   Sua carreira acadêmica foi brilhante, tendo lecionado nas principais universidades britânicas. Como professor convidado, deu aulas na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel, nos EUA. Em 2003, Eric Hobsbawm veio ao Brasil para participar da Festa Literária de Paraty (Flip).
     Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, publicada à época do lançamento do livro, declarou: “A redescoberta de Marx está acontecendo porque ele previu muito mais sobre o mundo moderno do que qualquer outra pessoa em 1848. É isso, acredito, o que atrai a atenção de vários observadores novos – atenção essa que, paradoxalmente, surge antes entre empresários e comentaristas de negócios, não entre a esquerda”.

      Seu livro de memórias, Tempos interessantes – Uma vida no século 20, é uma análise sem autoindulgência de sua trajetória intelectual e dos desafios políticos vividos. Além de retomar algumas reflexões que fizeram parte de sua obra de historiador, tem passagens sobre a América Latina e o Brasil, ao qual faz duas referências: acerca de uma conferência proferida em Campinas, em 1975, durante a ditadura militar, e sobre o significado político do Partido dos Trabalhadores (PT). Historiadores não costumam falar sobre o presente. Mas Eric Hobsbawm nunca foi ortodoxo e seu maior desafio sempre foi entender seu tempo.

Principais obras 

1962 – A era das revoluções (Paz e Terra)

1969 – Bandidos (Paz e Terra)

1973 – Revolucionários: ensaios contemporâneos (Paz e Terra)

1975 – A era do capital (Paz e Terra)

1987 – A era dos impérios (Paz e Terra)

1989 – História social do jazz (Paz e Terra)

1994 – A era dos extremos (Companhia das Letras)

2002 – Tempos interessantes (Companhia das Letras)

2011 – Como mudar o mundo (Companhia das Letras)



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