EVOLUÇÃO DOS HÁBITOS ALIMENTARES


É por meio do alimento que o ser humano retira os nutrientes para a sustentação de seu organismo e da sua combinação depende um corpo saudável ou doente. A história da alimentação é antiga. Acredita-se que o homem teria começado a se alimentar de frutos e raízes após observar o comportamento de outros animais. Com a evolução da espécie, começou a ingerir carne crua e moluscos, até que aprendeu a assar e cozinhar com o domínio do fogo. Descobriu outros alimentos e formas de consumi-los. Passou a selecionar, modificar e evoluiu tanto que hoje já utiliza o alimento como potente colaborador no tratamento de doenças e como principal responsável pela saúde e qualidade de vida.

Estudos mostram que o homo sapiens, por exemplo, alimentava-se de carne de caça, que eram abatidas diariamente e assadas. O homem de Neanderthal parece ter sido antropófago, segundo a análise de fósseis. Acredita-se que a primeira “sobremesa” tenha sido o mel de abelhas, que já existia há milhões de séculos antes do homem. 

Profundas mudanças climáticas e ambientais estimularam a migração de homens e animais. Andando de um lugar para outro, os homens primitivos perceberam que sementes que caíam, germinavam. Desenvolveram a agricultura, arco e flecha e passaram de nômades a moradores em pequenas aldeias. No período paleolítico passaram a se organizar em sociedade.

No período neolítico (10.000 a 4.000 a. C.), se inicia a base de nossa alimentação tradicional. Os povos egípcios associavam a saúde e longevidade aos prazeres da mesa. Eram conhecedores dos segredos da farmacopeia e propriedades das ervas medicinais e já ligavam a alimentação com a cura de moléstias.

Por volta dos séculos V a X d.C., já eram considerados os efeitos preventivos da alimentação. Textos de Hipócrates já evidenciavam a associação de alimentos com o combate a doenças. Na Idade Média se destacavam três sabores fundamentais: forte, doce e ácido. Na Idade Moderna a agricultura passa a ser utilizada também para fins comerciais. Na Idade Contemporânea a agricultura cresceu e o açúcar, antes privilégio da elite, se difundiu na alimentação popular.

Observando-se a evolução do processo alimentar, conclui-se que a cultura tem forte influência nos hábitos alimentares. O homem pré-histórico comia de tudo. Já o homem moderno age de forma bem diferente. Os israelitas podiam comer gafanhotos e esses são ainda apreciados em toda a África do Norte. No Nordeste, os sertanejos comem preás e camaleões. Nativos da Amazônia comem macacos assados. Hindus não comem carne de vaca, pois acreditam serem sagradas. Já os europeus acham que a mesma é indispensável na mesa.

A relação entre alimentação e religião está na Bíblia. As religiões proíbem o consumo de certos alimentos e tornam outros sagrados. O pão há mais de dois mil anos é tido como alimento sagrado por muitos povos. A cozinha brasileira sofreu influência da cozinha portuguesa, indígena e africana, sendo obviamente adaptada de acordo com a cultura local. 

Africanos trouxeram uma cozinha de “miscigenação”. Com os europeus, principalmente os portugueses, foram aprendidas técnicas de agricultura e criação de animais. Também houve contribuição no ensinamento de produtos derivados de leite, como o queijo, além dos embutidos, defumados e fabricação dos doces.

Nas últimas décadas ocorreram mudanças importantes nos hábitos alimentares dos brasileiros. O alimento, que antes era utilizado para saciar a fome, passou a ser parte integrante de reuniões, festas, etc. O conhecimento sobre eles também evoluiu bastante. Antes, coadjuvante, hoje tem papel principal na longevidade e qualidade de vida. Estudos científicos comprovam o poder de certos alimentos e sua influência na saúde humana. 

Com períodos de fome e doenças, nossos ancestrais realizaram experimentos alimentares que hoje vem à tona, com a comprovação científica de seus efeitos benéficos à saúde. Povos romanos descreveram as propriedades protetoras do repolho. As sementes da abóbora são apontadas por estudiosos como benéficas para a saúde da próstata. Fato este já descrito pela tradição herbal europeia. 

Em contrapartida, o aumento no número de alimentos industrializados associados à vida moderna, falta de tempo e stress do dia a dia, favoreceu alterações no padrão alimentar que nem sempre correspondem ao ideal. É cada vez maior o número de indivíduos acima do peso e/ou com problemas de saúde relacionados à alimentação desequilibrada. Essa não está necessariamente relacionada à alta ou baixa ingestão alimentar, mas à inadequada ingestão de nutrientes necessários para a qualidade de vida.A chamada “fome oculta” está se expandindo em toda a população, independente de classe social, idade ou sexo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “fome oculta” é a necessidade orgânica de um ou mais nutriente, mesmo não existindo sinais de carência. Na realidade existem alterações silenciosas que deixam sequelas, independente do peso do indivíduo. 

Os sintomas são geralmente percebidos em longo prazo ou até mesmo ignorados e podem culminar com o desenvolvimento de doenças como câncer, osteoporose, hipertensão, doenças cardiovasculares entre outras. 

São comuns: 

- Dores musculares;

- Fraqueza, cansaço, indisposição;

- Dificuldade de concentração;

- Maior vulnerabilidade a infecções.

Estudos indicam que ao mesmo tempo em que declina a ocorrência da desnutrição em crianças e adultos num ritmo acelerado aumenta a prevalência de sobrepeso e obesidade na população brasileira. Estabelece-se, dessa forma, um antagonismo de tendências temporais entre desnutrição e obesidade, definindo uma das características marcantes do processo de transição nutricional no país (Batista Filho, M. & Rissin, A., 2003). 

Dados epidemiológicos têm demonstrado que o sobrepeso e obesidade, antes prevalentes nas regiões mais ricas, hoje são comuns em regiões de baixa renda. A transição epidemiológica no campo da nutrição é hoje resultado de uma série de fatores que influenciam diretamente na saúde e qualidade de vida. Merece destaque a melhora na habitação e saneamento, a mudança de hábitos alimentares, níveis de ocupação regional, renda, acesso a informações, escolaridade, melhor acesso aos serviços de saúde entre outros. 

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) relativa aos anos de 2008 e 2009 trará pela primeira vez informações sobre a evolução dos hábitos alimentares da família brasileira. Serão considerados dados como o consumo de alimentos orgânicos, DIET e LIGHT e ainda hábitos considerados de desenvolvimento sustentável.

Autor: Colunista Portal - Educação




http://www.portaleducacao.com.br/nutricao/artigos/12547/evolucao-dos-habitos-alimentares#!1

Alimentos e evolução humana

Mudança alimentar foi a força básica para sofisticação física e social

                                                                                                                                William R. Leonard

Humanos, estranhos primatas. Andamos sobre duas pernas, possuímos cérebros enormes e colonizamos cada canto da Terra. Antropólogos e biólogos procuraram sempre entender como a nossa raça diferenciou-se tão profundamente do modelo primata. Foram desenvolvidos, ao longo dos anos, todos os tipos de hipóteses, visando explicar cada uma dessas particularidades. Um conjunto de evidências, porém, indica que essas idiossincrasias mistas de humanidade têm, na realidade, uma linha em comum: elas são, basicamente, o resultado da seleção natural, atuando para maximizar a qualidade dietética e a eficiência na obtenção de alimentos. Mudanças na oferta de alimentos parecem ter influenciado fortemente nossos ancestrais hominídeos. Assim, em um sentido evolutivo, somos o que comemos.

Conseqüentemente, o que comemos é ainda uma outra forma pela qual nos diferenciamos de nosso parente primata. Populações de humanos contemporâneos pelo mundo afora, adotam dietas mais calóricas e nutritivas que aquelas de nossos primos, os grandes macacos. Então, quando e como os hábitos alimentares de nossos ancestrais divergiram dos hábitos de outros primatas? Além disso, quanto os humanos modernos se distanciaram do padrão alimentar ancestral?

O interesse científico na evolução das necessidades nutricionais humanas tem uma longa história. Investigações relevantes começaram a ganhar espaço a partir de 1985, quando S. Boyd Eaton e Melvin J. Konner, da Emory University, publicaram um artigo no New England Journal of Medicine intitulado "Nutrição Paleolítica". Eles argumentam que a prevalência de muitas doenças crônicas nas sociedades modernas - entre elas obesidade, hipertensão, doenças coronarianas e diabetes - seriam o resultado de uma incompatibilidade entre padrões dietéticos modernos e o tipo de dieta que nossa espécie desenvolveu para se alimentar como caçadores-coletores pré-históricos.

Desde então, a compreensão da evolução das necessidades nutricionais humanas tem avançado consideravelmente - graças, em parte, às análises comparativas entre populações de humanos vivendo tradicionalmente e outros primatas -, emergindo daí um retrato com mais nuances. Sabemos, agora, que os humanos evoluíram não para subsistirem com uma dieta paleolítica única, mas para desfrutarem de um padrão alimentar diversificado.

Os cérebros ficaram maiores e cada vez mais, ao longo do tempo, energeticamente exigentes. O cérebro humano moderno responde por 10 a 12% da demanda de energia de um corpo em repouso, comparada ao cérebro do australopiteco. Para se compreender o papel da alimentação na evolução humana, devemos nos lembrar de que a procura pelo alimento, seu consumo e, finalmente, como ele é usado para processos biológicos são, todos, aspectos críticos da ecologia de um organismo. A energia dinâmica entre organismos e seus ambientes, ou seja, a energia despendida comparada à energia adquirida, tem conseqüências adaptativas importantes para a sobrevivência e reprodução. Esses dois componentes da aptidão darwiniana refletem-se na forma como estimamos o estoque de energia de um animal. A energia de manutenção é o que mantém um animal vivo. A energia produtiva está associada à concepção e manutenção da prole para a próxima geração. Para mamíferos, isso deve cobrir as demandas das mães durante a gravidez e lactação. 

O tipo de ambiente que uma criatura ocupa irá influenciar a distribuição de energia entre esses componentes, em que condições mais duras representam, obviamente, maiores dificuldades. No entanto, o objetivo de todos os organismos é o mesmo: assegurar a reprodução, visando garantir, a longo prazo, o sucesso das espécies. Portanto, ao observarmos a forma como os animais se deslocam para obter a energia alimentar, podemos compreender melhor como a seleção natural produz a mudança evolutiva.




Tornando-se bípedes

Sem excessão, os primatas não-humanos deslocam-se habitualmente sobre os quatro membros quando estão no chão. Os cientistas geralmente assumem que o último ancestral comum dos humanos e dos chimpanzés (nosso parente vivo mais próximo) também era um quadrúpede. Desconhecemos quando, exatamente, o último ancestral comum viveu. Mas indicações claras de bipedalismo - a característica que distinguiu os antigos humanos dos outros macacos - são evidentes nas espécies mais antigas conhecidas do australopitecus, que viveu na África por volta de 4 milhões de anos atrás. Idéias sobre a evolução do bipedalismo são comuns na literatura paleoantropológica.

C. Owen Lovejoy, da Kent State University, propôs, em 1981, que a locomoção sobre as duas pernas liberou os braços para carregar crianças e objetos. Recentemente, Kevin D. Hunt, da Indiana University, sugeriu que o bipedalismo emergiu como uma postura de alimentação, por ter permitido o acesso a alimentos que antes estavam fora de alcance. Peter Wheeler, da John Moores University, Liver- pool, acrescentou que, ao se erguerem, os antigos humanos puderam regular melhor a temperatura corporal, expondo menos o corpo ao calor abrasador africano.

A lista continua. Uma série de fatores provavelmente influenciou esse tipo de locomoção. Minha própria pesquisa, conduzida em colaboração com minha esposa, Márcia L. Robertson, sugere que o bipedalismo desenvolveu-se em nossos ancestrais, pelo menos em parte, por ser menos dispendioso energeticamente que o deslocamento sobre quatro membros. Nossas análises dos custos de energia do movimento em animais demonstraram que, no geral, a maior demanda depende do peso do animal e da velocidade com que ele se desloca. O mais surpreendente no movimento bipedal humano é que ele é notadamente mais econômico que o deslocamento quadrupedal em velocidade de marcha.

A evolução maior dos primeiros hominídeos ocorreu em pastos e espaços de terra mais abertos, onde a sustentação é mais difícil. Sem dúvida, os caçadores-coletores humanos modernos que vivem nesses ambientes, e que nos oferecem o melhor modelo disponível dos padrões de subsistência dos humanos primitivos, freqüentemente se deslocam 12 km por dia em busca de alimentos.

Quanto aos hominídeos que viveram entre 5 milhões e 1,8 milhão de anos atrás, durante o Plioceno, a mudança climática estimulou essa revolução morfológica. À medida que o continente africano foi se tornando mais árido, florestas deram lugar a pastos, deixando os recursos alimentares distribuídos mais irregularmente.

O bipedalismo, nesse contexto, pode ser visto como uma das primeiras estratégias na evolução nutricional humana, um padrão de movimento que teria reduzido substancialmente o número de calorias despendidas na coleta de alimentos.

O que é extraordinário em nosso cérebro grande, sob uma perspectiva nutricional, é o quanto de energia ele consome- aproximadamente 16 vezes mais que um tecido muscular por unidade de peso. Porém, apesar de os humanos apresentarem, quanto ao peso corporal, cérebros maiores que os dos outros primatas (três vezes maior que o esperado), as necessidades totais de energia em repouso do corpo humano não são maiores que a de qualquer outro mamífero do mesmo porte. Usamos uma grande parte de nossa quota diária de energia para alimentar nossos cérebros vorazes. Na verdade, o metabolismo de um cérebro em repouso ultrapassa de, 20 a 25%, as necessidades de energia de um humano adulto - bem mais que os 8 a 10% observados em primatas não - humanos, e que os 3 a 5% em outros mamíferos.

Baseando-nos nas estimativas de tamanho corporal de hominídeos compiladas por Henry M. McHenry, da University of California, em Davis, Robertson e eu estimamos a proporção das necessidades de energia em repouso que poderiam ser necessárias para alimentar os cérebros de nossos antigos ancestrais. Um australopiteco típico, pesando entre 35 e 40 kg, com um cérebro de 450 cm3, teria reservado cerca de 11% de sua energia em repouso para o cérebro. Enquanto um H. erectus, pesando entre 55 e 60 kg e com um cérebro de cerca de 850 cm3, teria reservado cerca de 16% de sua energia em repouso - ou seja, cerca de 250 das 1.500 kcal diárias - para este órgão.

Como teria evoluído esse cérebro tão energeticamente dispendioso? Uma teoria, desenvolvida por Dean Falk, da State University of New York, Albany, sustenta que o bipedalismo permitiu aos hominídeos resfriar o sangue cranial e, conseqüentemente, liberar o cérebro sensível do calor de temperaturas agressivas que haviam colocado em cheque o seu tamanho. Suspeito que vários fatores estiveram em jogo, mas a expansão do cérebro quase que certamente não teria ocorrido se os hominídeos não tivessem adotado uma dieta suficientemente rica em calorias e nutrientes, para suportar os custos associados.

Estudos comparativos em animais vivos sustentam essa afirmação. Além de todos os primatas, espécies com cérebros maiores ingerem alimentos mais ricos; os humanos são um exemplo extremo dessa correlação, ostentando o maior tamanho relativo de cérebro e a dieta mais variada. Conforme as análises recentes de Loren Cordain, da Colorado State University, os caçadores-coletores contemporâneos obtêm, em média, 40 a 60% de energia da carne, do leite e de outros produtos de origem animal.

Chimpanzés modernos, em comparação, obtêm somente entre 5 e 7% de suas calorias provenientes dessas fontes. Alimentos de origem animal contêm bem mais calorias e nutrientes que a maioria dos alimentos vegetais. Por exemplo, 100 g de carne geram acima de 200 kcal. A mesma quantidade de frutas libera entre 50 e 100 kcal. Uma porção comparável de verduras produz somente entre 10 e 20 kcal. Faz sentido, então, que, para o antigo Homo, adquirir mais matéria cinzenta significou procurar alimentos energeticamente mais densos.

Os fósseis, também, indicam que a melhoria na qualidade dietética acompanhou o crescimento evolutivo do cérebro. Todos os australopitecos apresentavam características esqueléticas e dentais estruturadas para processar alimentos vegetais duros e de baixa qualidade. O australopiteco mais antigo e robusto - um ramo da outra ponta da árvore genealógica humana, que viveu lado a lado com membros de nosso próprio gênero - teve adaptações especialmente pronunciadas para triturar alimentos vegetais fibrosos, in- cluindo faces maciças em forma de prato, mandíbulas fortemente estruturadas; cristas sagitais, no alto do crânio, para a fixação de potentes músculos mastigatórios; e dentes molares enormes e fortemente esmaltados. (Isto não significa que os austrolopitecos nunca comiam carne. Eles certamente ingeriam este alimento, oca- sionalmente, tal como os chimpanzés de hoje.) Mas, membros mais antigos do gênero Homo, descendentes dos graciosos australopitecos, possuíam faces e molares menores, mandíbulas mais delicadas, e não apresentavam cristas sagitais - apesar de serem bem maiores, em termos de porte corporal total, que seus predecessores. Em conjunto, essas estruturas sugerem que o Homo ancestral consumia menos matéria vegetal e mais alimentação animal.

Quanto ao que empurrou o Homo para uma qualidade dietética maior, necessária para o crescimento cerebral, a mudança ambiental parece ter sido, mais uma vez, o ponto de mutação evolucionário. A crescente aridez da paisagem africana limitou a quantidade e variedade de alimentos vegetais comestíveis, disponíveis aos hominídeos. Aqueles na mesma linha que deu origem aos robustos australopitecos enfrentaram morfologicamente esse problema, desenvolvendo especificidades anatômicas que permitiram a subsistência com alimentos de mastigação mais difícil, porém com maior disponibilidade. O Homo percorreu outro caminho. A disseminação de pastos também resultou em um aumento na abundância relativa de mamíferos de pasto, como o antílope e a gazela, criando oportunidades para os hominídeos capazes de explorá-los.

O H. erectus o fez, desenvolvendo a primeira economia caça-e-coleta, em que animais de caça eram uma parte significativa da dieta e os recursos eram compartilhados entre os membros dos grupos de suprimento. Sinais dessa revolução comportamental são visíveis nos registros arqueológicos, que apontam um aumento de carcaças de animais em sítios de hominídeos durante esse período, junto com evidências de que as presas eram abatidas com utilização de utensílios de pedra. Essas mudanças na dieta e comportamento de coleta não tornaram nossos ancestrais exclusivamente carnívoros. Mas, a adição de pequenas porções de comida animal ao cardápio, combinada com a divisão dos recursos que é peculiar aos grupos de caça e coleta, teria significantemente aumentado a qualidade e estabilidade das dietas dos hominídeos. Uma melhor qualidade dietética, por si só, não explica por que os cérebros dos hominídeos cresceram, mas parece ter desempenhado um papel crítico na eclosão daquela mudança. Após um grande estímulo inicial no crescimento do cérebro, a dieta e a expansão desse órgão provavelmente interagiram em sinergia; cérebros maiores produziram comportamento social mais complexo, o que conduziu a outras estratégias em táticas de suprimento e a uma melhor alimentação que, por sua vez, fomentou a evolução adicional do cérebro.


Um banquete itinerante

A evolução do h. erectus na África, 1,8 milhão de anos atrás, marcou a terceira virada na evolução humana: o movimento inicial dos hominídeos para fora da África. Até recentemente, a localização e as idades dos sítios fósseis conhecidos sugeriam que os primeiros Homo permaneceram sedentários por poucas centenas de milhares de anos antes de se aventurarem a espalhar-se pelo resto do Velho Mundo.

O êxodo africano começou tão logo o H. erectus se desenvolveu, por volta de 1,8 milhão de anos, em parte, provavelmente, porque ele precisava de um espaço maior que seus predecessores de menor porte. Estudos antigos indicaram que o aperfeiçoamento da tecnologia de ferramentas, cerca de 1,4 milhão de anos atrás - ou seja, o advento do machado de mão acheliano -, permitiu aos hominídeos deixar a África. Porém, o geocronologista Carl Swisher III, da Rutgers University, e colegas têm demonstrado que os primeiros sítios do H. erectus fora da África, situados na Indonésia e na República da Geórgia, datam de 1,8 milhão e 1,7 milhão de anos atrás, respectivamente. Parece que o surgimento do H. erectus e sua disseminação fora da África foram quase que simultâneos.

O ímpeto por trás dessa nova maneira de errar pelo mundo, novamente, parece ter sido o alimento. O que um animal come é o que define a área que ele demanda para sobreviver. Animais carnívoros geralmente necessitam de muito mais território que os herbívoros de porte compatível, pois têm menos calorias totais disponíveis por unidade de área.Sendo o H. erectus mais encorpado e cada vez mais dependente de dieta animal, provavelmente precisaria de uma gleba maior que os australopitecos, menores e mais vegetarianos. Utilizando dados de primatas contemporâneos e de humanos caçadores-coletores como guia, Robertson, Susan Antón, da Rutgers University, e eu calculamos que a estrutura corporal maior do H. erectus, combinada com o aumento moderado de consumo de carne, demandaria de 8 a 10 vezes mais território se comparado ao espaço requerido pelo tardio australopiteco - suficiente para explicar a abrupta expansão de espécies fora da África. Ainda não sabemos exatamente a que distância, para além do continente, esta mudança teria levado o H. erectus, mas eles podem ter sido motivados e guiados a essas terras distantes por rebanhos de animais migratórios.

Ao mudarem para latitudes nórdicas, os humanos encontraram novos desafios alimentares. Os neandertais, que viveram durante as últimas eras de gelo na Europa, estiveram entre os primeiros humanos a habitar a região ártica, e eles, quase que certamente, teriam necessitado de uma oferta calórica maior para viver sob aquelas circunstâncias. Pistas de quais teriam sido essas demandas de energia são fornecidas por dados de populações humanas tradicionais que habitam hoje as regiões árticas. As populações siberianas de criadores de rena, conhecidas como evenki - que estudei com Peter Katzmarzyk, da Queen\\`s University, Ontário, e Victoria A. Galloway, da University of Toronto, ambas no Canadá - e as populações de inuits (esquimós) do Canadá Ártico apresentam índices de metabolismo em repouso 15% acima do observado em pessoas de porte similar vivendo em ambientes temperados.

As atividades energeticamente mais dispendiosas associadas à vida em um clima nórdico elevaram a demanda calórica. Na verdade, enquanto um homem americano pesando 73 kg e levando uma vida urbana necessita de cerca de 2.600 kg por dia, um diminuto homem evenki pesando 57 kg, necessita de mais de 3 mil kcal/dia para se sustentar. Usando essas populações nórdicas modernas como referência, Mark Sorensen, da Northwestern University, e eu estimamos que os neandertais, provavelmente, teriam necessitado de cerca de 4 mil kcal/dia para sobreviver. Por terem sido capazes de preencher essas demandas, e pelo longo tempo que o fizeram, muito sobre suas habilidades como coletores é revelado (ver box).

Dilemas Modernos

Assim como as pressões para melhorar a qualidade alimentar influenciaram a evolução dos primeiros humanos, também esses fatores desempenharam um papel crucial nas expansões mais recentes do tamanho populacional. Inovações como cozimento, agricultura e mesmo aspectos da tecnologia alimentar moderna podem, todos, ser considerados táticas para elevar a qualidade da dieta humana. Cozinhar, por um lado, aumenta a energia disponível em alimentos vegetais selvagens (ver box da pág. 80). Com o advento da agricultura, os humanos começaram a manipular espécies de plantas marginais, visando maior produtividade, digestibilidade e conteúdo nutricional - tornando as plantas essencialmente mais próximas dos alimentos animais. Esse tipo de improviso continua hoje, com a manipulação genética de espécies para a produção de "melhores" frutas, vegetais e grãos. Da mesma forma, o desenvolvimento de suplementos nutricionais, que substituem refeições, é uma continuação da tendência iniciada por nossos ancestrais: obter o máximo de retorno nutricional, no menor volume e com o mínimo esforço físico.

A estratégia evidentemente funcionou: os humanos estão aqui hoje, e em números recordes. O testamento mais contundente, porém, da importância de alimentos ricos em energia e nutrientes na evolução humana, talvez esteja na observação de que tantas preocupações com a saúde, que atormentam as sociedades em todo o planeta, tenham origem nos desvios da dinâmica energética estabelecida por nossos ancestrais. Para as crianças em populações rurais de regiões em desenvolvimento, dietas de baixa qualidade resultam em crescimento físico deficiente e altas taxas de mortalidade nos primeiros anos de vida. Nesses casos, os alimentos oferecidos às crianças após o desmame não são, em geral, nutritivos e energeticamente fortes o suficiente para suprir as extensas necessidades associadas a esse período. Apesar de essas crianças, ao nascerem, apresentarem altura e peso tipicamente similares às de crianças norte-americanas, por exemplo, são menores e mais leves por volta dos três anos, assemelhando-se, freqüentemente, aos pequenos 2 ou 3% das crianças norte-americanas da mesma idade e sexo.

Estamos encarando o problema oposto no mundo industrial: os registros de obesidade na infância e na vida adulta estão crescendo, porque nosso desejo por alimentos ricos em energia - notadamente aqueles que incluem gordura e açúcar - tornaram-se muito disponíveis e relativamente baratos. Conforme estimativas recentes, mais da metade dos adultos norte-americanos estão acima do peso. A obesidade também apareceu em algumas re giões em desenvolvimento, onde, até há uma geração, era virtualmente desconhecida. Esse aparente paradoxo surgiu quando pessoas que cresceram malnutridas se mudaram das áreas rurais para lugares urbanos, onde o alimento tem disponibilidade imediata. A obesidade e outras doenças comuns do mundo moderno, de alguma forma, são extensões de um contexto que começou há milhões de anos. Nós somos vítimas de nosso próprio sucesso evolutivo, desenvolvendo uma dieta calórica concentrada, mas minimizando a quantidade de energia de manutenção despendida em atividade física.

Não foram somente as mudanças na dieta que difundiram muitos dos nossos problemas de saúde, mas a interação entre trocas alimentares e mudanças no estilo de vida. Os problemas de saúde modernos são, com freqüência, retratados como o resultado da ingestão de alimentos "ruins", que são desvios da dieta humana natural - uma supersimplificação incorporada pelo debate atual sobre os méritos relativos de uma dieta superprotéica e rica em gorduras tipo-Atkins, ou uma alternativa pobre em gorduras, que enfatiza carboidratos complexos.

Essa é uma visão fundamentalmente equivocada de se enfocar as necessidades nutricionais humanas. A nossa espécie não está apta a subsistir com uma dieta única e ideal. O que é singular nos seres humanos é a extraordinária variedade do que comemos. Fomos capazes de prosperar em quase todos os ecos- sistemas sobre a Terra, consumindo desde alimentos de origem animal, entre as populações do Ártico, até, basicamente, tubérculos e cereais, entre as populações dos Andes. Sem dúvida, um marco da evolução humana tem sido a diversidade de estratégias que desenvolvemos para criar dietas adequadas às nossas necessidades, e a sempre crescente eficiência com que extraímos energia e nutrientes do ambiente. O desafio que as sociedades enfrentam agora é o balanceamento entre as calorias que consumimos e as que queimamos.

O cozimento de vegetais, especialmente tubérculos, permitiu a expansão do cérebro, argumentam Richard Wrangham, da Harvard University, e colaboradores

O Uso do Fogo

A ingestão de mais alimentos de origem animal é uma forma de aumentar a densidade calórica e nutricional, uma mudança que parece ter sido crítica na evolução da raça humana. Mas poderiam nossos antepassados ter melhorado a qualidade alimentar de outra forma? Richard Wrangham, da Harvard University, e colegas recentemente pesquisaram a importância do cozimento na evolução humana. Eles demonstraram que cozinhar não só faz com que os vegetais fiquem mais macios e fáceis de se mastigar, como aumenta substancialmente o conteúdo energético disponível, particularmente em tubérculos feculosos como a batata e a mandioca. Quando crus, as féculas não são imediatamente quebradas pelas enzimas do corpo humano. Quando aquecidos, porém, esses carboidratos complexos tornam-se mais digestíveis e, portanto, liberam mais calorias.

Os pesquisadores propuseram que o Homo erectus foi, provavelmente, o primeiro hominídeo a usar o fogo para cozinhar há, talvez, 1,8 milhão de anos.

Eles sustentam que aquele cozido antigo de vegetais (especialmente tubérculos) permitiu à espécie desenvolver dentes pequenos e cérebros maiores que seus antecessores.

Além disso, as calorias extras permitiram ao H. erectus começar a caçar - uma atividade energeticamente dispendiosa - com maior freqüência.

Sob uma perspectiva energética, essa é uma linha suficientemente lógica de raciocínio. O que fica difícil de aceitar nessa hipótese é a evidência arqueológica que a equipe de Wrangham utiliza para defendê-la. Os autores citam sítios do leste africano, Koobi Fora e Chesowanja, datados em torno de 1,6 e 1,4 milhão de anos, respectivamente, para indicar o controle do fogo pelo H. erectus. Esses locais, realmente, mostram evidências de fogueiras, mas se hominídeos foram os responsáveis por essas fogueiras é um assunto a ser debatido. A mais antiga e inequívoca manifestação do uso do fogo - fornos de pedra e ossos de animais queimados em sítios na Europa - datam somente de cerca de 200 mil anos.

O cozimento foi claramente uma inovação que melhorou substancialmente a qualidade da alimentação humana. Mas ainda continua incerto quando essa prática apareceu. - W. R. L.

As refeições neandertais consistiam principalmente em carne, de acordo com análises químicas de ossos

Caçadores Neandertais

Para reconstruir o que os primeiros humanos comeram, pesquisadores têm, tradicionalmente, estudado sinais característicos em dentes fossilizados e crânios, restos arqueológicos de atividades relacionadas à alimentação, e às dietas de humanos e macacos vivos. Mas, cada vez mais, os investigadores estão extraindo uma outra fonte de dados; a composição química de fósseis de ossos. Essa abordagem tem permitido descobertas especialmente intrigantes com relação aos neandertais.

Michael Richards, atualmente na University of Bradford, Inglaterra, e colegas examinaram, recentemente, isótopos de carbono (13C) e nitrogênio (15N) em ossos de neandertais de 29 mil anos da Caverna Vindija, Croácia. As proporções relativas desses isótopos na parte protéica do osso humano, conhecida como colágeno, refletem diretamente a quantidade de proteína da dieta do indivíduo. Assim, pela comparação isotópica das "assinaturas" nos ossos dos neandertais com a de outros animais vivendo no mesmo ambiente, os autores puderam determinar se a massa protéica obtida pelos neandertais era proveniente de vegetais ou animais. As análises demonstram que os neandertais de Vindija apresentavam níveis de 15N comparáveis àqueles vistos em carnívoros do norte, como as raposas e os lobos, indicando que eles obtiveram quase toda sua proteína dietética de alimentos de origem animal. Um trabalho anterior sugeriu que a ineficiência no suprimento pode ter sido um fator do subseqüente fim dos neandertais. Mas Richard e colaboradores argumentam que, para consumir tanto alimento de origem animal, como eles aparentemente o fizeram, os neandertais devem ter sido caçadores exímios. Essas descobertas são parte de um corpo crescente de literatura, sugerindo que o comportamento de subsistência dos neandertais era mais complexo que o previamente imaginado (ver "Who Were the Neandertals?" de Kate Wong; SCIENTIFIC AMERICAN, Abril 2000). - W. R. L.

A Diversidade das dietas

A ariedade de estrtégias alimentares de sucesso, empregadas pelas populações que vivem tradicionalmente, proporcionam uma perspectiva importante no avanço dos debates sobre como regimes com índices altos de proteína e baixos de carboidrato, como a dieta de Atkins, comparam-se com os que destacam carboidratos complexos e restrição à gordura. Não é surpresa o fato de que esses dois esquemas produzem perda de massa, porque ambos ajudam as pessoas a diminuir o peso através do mesmo mecanismo básico: limitando as maiores fontes de calorias. Quando você cria um déficit de energia - ou seja, quando você consome menos calorias do que despende -, seu corpo começa a queimar seus estoques de gordura e você perde peso.

Uma questão maior sobre as dietas saudáveis de manutenção ou de perda de peso é se elas criam padrões alimentares mantidos ao longo do tempo. Nesse ponto, parece que as dietas que limitam em excesso grandes categorias de alimentos (carboidratos, por exemplo) são muito mais difíceis de serem mantidas que as dietas que restringem moderadamente. No caso do regime tipo - Atkins, existe uma preocupação com as potenciais conseqüências, a longo prazo, da ingestão de alimentos provindos, em sua maior parte, de animais confinados, com tendência a conter mais gordura e mais colesterol "ruim". 

Em setembro, o National Academy of Science Institute of Medicin lançou novas diretrizes de dieta e exercício que captam bem as idéias apresentadas aqui. Não apenas o Instituto estabeleceu faixas maiores para a quantidade de carboidratos, gorduras e proteínas condizentes com uma dieta saudável - reconhecendo que existem várias formas de suprir as necessidades nutricionais -, como dobrou a quantidade recomendada de atividade física moderadamente intensa para uma hora por dia. Ao seguir essas informações e balanceando o que comemos com exercícios, podemos viver não só de uma forma parecida com os evenki da Sibéria e outras sociedades tradicionais, como também com os nossos ancestrais hominídeos. - W. R. L.




RESUMO / Dieta e Evolução Humana

- As características que mais distinguem os humanos de outros primatas são, certamente, os resultados da seleção natural, agindo no melhoramento da qualidade da alimentação humana, e a eficiência com que nossos ancestrais obtiveram os alimentos. Alguns cientistas sugeriram que muitos dos problemas de saúde enfrentados pelas sociedades modernas seriam conseqüências de uma discrepância entre o que ingerimos e o que nossos antepassados comeram.

- Estudos entre populações que vivem tradicionalmente apontam que os humanos modernos estão aptos a suprir suas necessidades nutricionais usando uma ampla variedade de estratégias. Adquirimos flexibilidade alimentar. A preocupação com a saúde no mundo industrial, em que alimentos calóricos concentrados estão facilmente disponíveis, não se originam de desvios de uma dieta específica, mas de um desequilíbrio entre a energia que consumimos e a que despendemos.




Para conhecer mais

Evolutionary Perspectives on Human Nutrition: The Influence of Brain and Body Size on Diet and Metabolism. William R. Leonard e Marcia L. Robertson in American Journal of Human Biology, Vol. 6, páginas 77- 88; Janeiro de 1994.

Rethinking the Energetics of Bipedality. William R. Leonard e Marcia L. Robertson in Current Anthropology, Vol. 38, páginas 304 - 309;abril de 1997.

Human Biology: An Evolutionary and Biocultural Approach. Editado por Sara Stinson, Barry Bogin, Rebecca Huss-Ashmore e Dennis O\\`Rourke. Wiley-Liss, 2000. 

Ecology, Health and Lifestyle Change among the Evenki Herders of Siberia. William R. Leonard, Victoria A. Galloway, Evgueni Ivakine, Ludmilla Osipova e Marina Kazakovtseva in Human Biology of Pastoral Populations. Editado por William R. Leonard and Michael H. Crawford. Cambridge University Press, 2002. 

An Ecomorphological Model of the Initial Hominid Dispersal from













http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/alimentos_e_evolucao_humana.html












Família e educação




9 contribuições da neurociência para a Educação de seu filho

Especialistas dão dicas de como pais podem ajudar a desenvolver plenamente o potencial do cérebro de seu filho

Texto Iana Chan

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/contribuicoes-neurociencia-educacao-791927.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar

    Não há receita para educar os filhos, mas a Ciência tem apontado caminhos para a difícil tarefa de fazer com que os pequenos tenham uma vida plena,saudável e bem-sucedida. Nas últimas décadas, o estudo do cérebro trouxe várias contribuições para o trabalho de pais e de professores.

   Conhecer como funciona o cérebro não é pouca coisa. Esse órgão de 1,5 kg comanda nosso desenvolvimento físico, social, emocional, linguístico e cognitivo. Personalidade, emoção, linguagem, memória, pensamento... Está tudo lá. E a chamada neurociência já descobriu alguns mecanismos que contribuem para o desenvolvimento saudável do cérebro. "Ao revelar essa coreografia cerebral, a neurociência nos mostra a melhor forma de interferir", diz Elvira Souza Lima, pós-doutorada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em Neurociência, Psicologia, Antropologia e Música. 

   Um desenvolvimento cerebral saudável, dizem os especialistas, precisa de estímulo e proteção. "As experiências no começo da vida formam a base para todo o desenvolvimento posterior", explica diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, nos Estados Unidos, Jack Shonkoff, que defende a importância da interação das crianças com a família e a proteção contra o chamado estresse tóxico. "Precisamos assegurar ambientes acolhedores, estáveis e estimulantes para as crianças", afirma.


Nota: as falas de Elvira Souza Lima foram coletadas durante o XVII Seminário de Educação Infantil, organizado pelo Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, em São Paulo, enquanto as de Jack Shonkoff foram proferidas durante o Seminário Interativo pela Primeira Infância, na Câmara Municipal de São Paulo. 

Veja algumas contribuições que a neurociência trouxe para a Educação:


1. Seu filho não nasce com uma quantidade fixa de inteligência

  Diferente do que se costumava pensar, o cérebro nunca para de se desenvolver. Ele é um órgão que se reorganiza e forma conexões entre neurônios ao longo da vida inteira. É o que os neurocientistas chamam de plasticidade cerebral: a capacidade que o cérebro tem de criar novas conexões e de se adaptar a partir das necessidades. 

"O desenvolvimento humano não depende de raça ou de condição socioeconômica. Todos podem aprender muito, mas só se tiverem oportunidade de serem ensinados e de praticar", diz a pesquisadora Elvira Souza Lima. 

   Isso quer dizer que seu filho não nasce inteligente ou burro. Ele nasce com capacidade de aprender como qualquer outra criança. E seu estímulo desde os primeiros dias de vida é fundamental neste processo.

2. Os primeiros anos são determinantes na vida de seu filho

   O cérebro nunca deixa de se desenvolver, mas com o passar do tempo fica cada vez mais difícil aprender coisas novas. "Quanto mais velho for o indivíduo, mais custoso será mudá-lo, pois a energia necessária para que o cérebro se ajuste, se adapte ou aprenda novos comportamentos será muito maior", diz o diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, nos Estados Unidos, Jack Shonkoff.

   Está provado que no início do desenvolvimento cerebral, nos primeiros anos de vida, as possibilidades são bem maiores. "Por isso, aprender uma língua estrangeira ou a tocar um instrumento musical é tão mais fácil para crianças pequenas", explica a pesquisadora em desenvolvimento humano, Elvira Souza Lima. Com o passar do tempo, as redes neuronais utilizadas tornam-se cada vez mais fortes e mais difíceis de serem alteradas, enquanto as não utilizadas acabam sendo "podadas" pelo cérebro. 

  Para a sociedade, não investir em Educação nos primeiros anos de vida também é ruim. Jack Shonkoff diz que a sociedade paga um preço mais caro por não ter investido na formação de seus cidadãos nos primeiros anos de vida. "Promover mudanças sempre é possível, mas é mais fácil e mais efetivo investir em uma boa base na primeira infância do que pagar os custos de reparo mais tarde", diz.

   Essa é a razão pela qual Shonkoff defende que os gestores públicos foquem na primeira infância. "O desenvolvimento saudável nos primeiros anos de vida cria uma base para todas as necessidades de uma sociedade saudável, não só na área da Educação, mas também da Economia, da Saúde, da Segurança, da Cidadania...", diz.


3. O desenvolvimento do cérebro depende de experiências e estímulos

  As experiências literalmente moldam o cérebro. Experiências e estímulos contínuos aumentam as chamadas sinapses, isto é, a conexão entre diferentes neurônios para a propagação dos impulsos nervosos. Quando uma criança ouve uma canção diferente, brinca de algo novo ou desenha, por exemplo, o cérebro está se exercitando, criando redes de neurônios capazes de fazer ligações cada vez mais rapidamente. "O desenvolvimento cerebral depende da riqueza de vivências e de experiências de um indivíduo", explica Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano.

  Quando essa rede neuronal se forma, além de fixar o conhecimento relacionado, cria uma facilidade para outros aprendizados. Por exemplo, uma criança que aprende uma segunda língua entra em contato com diferentes lógicas, já que cada língua possui seu próprio modo de funcionar. "Isso amplia as redes neuronais para o pensamento lógico, criando uma disposição para outros aprendizados ligados a ele", diz Elvira. 

   Toda a aprendizagem depende da ação do cérebro e todos somos capazes de aprender. Nascemos com um potencial de 100 bilhões de neurônios, mas o desenvolvimento depende da cultura, da vivência, que determinam quais serão os aprendizados a partir desse leque enorme de possibilidades. "Há tribos no deserto de Albuquerque, no Novo México, por exemplo, que desenvolvem o olfato de maneira incrível - eles conseguem sentir o cheiro da tempestade duas horas antes de ela chegar, enquanto nós não desenvolvemos esse sentido, porque não é algo da nossa cultura", diz a pesquisadora.


4. O desenvolvimento do cérebro também é biológico e não pode ser adiantado

   Apesar de ser "movido" a estímulos, o desenvolvimento do cérebro também obedece a uma ordem de amadurecimento. Sabe aquela frase tudo tem seu tempo? "O cérebro demora por volta de 20 anos para amadurecer e ele segue uma ordem dada pela genética, que não podemos adiantar", explica Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano. 

   É muito importante conhecer os marcos do desenvolvimento cerebral para ajustar as expectativas em relação às crianças, sabendo o que é próprio ou não para cada idade. 

  Por exemplo, se você der um lápis grafite para uma criança de 4 anos, ela vai ter dificuldade em utilizá-lo e provavelmente vai quebrar a ponta. "Ela não tem a possibilidade motora e biológica de usar o lápis, o cérebro não está preparado ainda para esse refinamento", explica Elvira. 

  Pais precisam entender que a criança quer agradar, quer responder aos anseios dos adultos a sua volta. Na hora de interagir, os pais devem tomar cuidado para não estressar demais a criança. "Se há uma expectativa que a criança não possa cumprir, é o começo do desastre. Muitas vezes, ela não tem estrutura cerebral para satisfazer esses desejos e pode acabar desenvolvendo comportamentos que mais tarde serão entendidos como patologias e, em última medida, acabam sendo medicadas. Isso é um equívoco e o prejuízo é muito grande", aconselha.


5. Estresse em excesso nos primeiros anos prejudica o desenvolvimento para toda a vida

   Como vimos, as experiências que acontecem cedo na vida da criança afetam o aprendizado e a saúde futura. Para o bem e para o mal. 

  Pense em um momento no qual você se sentiu mais estressado do que nunca, tente se lembrar da sensação física: suores, nó no estômago, boca seca... "Essa é a maneira como o seu corpo o prepara para lidar com ameaças, seja uma ameaça física, seja uma ameaça como um problema inesperado no trabalho. Ela foca sua atenção, fortalece seus músculos. Nós temos muita sorte em ter um sistema de resposta ao estresse, ele nos deixa alerta para enfrentar ou perigo ou para fugir dele", explica Jack Shonkoff, diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, nos Estados Unidos 

  O problema é quando há uma ativação constante desse sistema, que foi feito para atuar em situações específicas e não o tempo todo. Quando a criança sofre abuso e negligência contínuos, ocorre o chamado estresse tóxico, que prejudica seu desenvolvimento cerebral. "Quando não há um adulto acolhedor perto da criança, o estresse tóxico pode reduzir o número de conexões neuronais em regiões importantes do cérebro, num período em que as crianças deveriam estar desenvolvendo conexões novas", explica Shonkoff. 

  O estresse tóxico tem um impacto a longo prazo na aprendizagem, no comportamento e na saúde física e mental. Um estudo mostrou que os maus-tratos sofridos na infância aumentam as chances de desenvolver problemas cardiovasculares quando adultos. Outros estudos também relacionam as experiências adversas nos primeiros anos de vida ao maior uso de álcool e drogas na vida adulta. "O corpo não esquece. Esses adultos não necessariamente continuaram a sofrer depois da infância, mas seus corpos guardaram uma memória biológica dessa experiência", diz o professor. 

   Há duas maneiras de proteger os efeitos do estresse tóxico nas crianças: a presença de adultos que ajudam a amortecer os efeitos do estresse e de adultos que eduquem e mostrem para as crianças como elas próprias podem lidar com o estresse. "O objetivo não deve ser livrar as crianças de estresse, mas ensiná-las a tolerar e lidar com o estresse", explica Jack Shonkoff. 

   Se depois de ler essa informação, você está decidido a proteger seu filho de qualquer frustração ou estresse, vá com calma. O estresse tóxico não é algo pontual, mas uma situação prolongada e excessiva em que a criança não tem apoio de um adulto capaz de protegê-lo. "Se você tem uma relação interativa com seu filho, os efeitos do estresse tóxico são amortecidos. Pais não precisam se culpar ou se desesperar por seus filhos em viverem em situações de estresse - a menos que você deixe seu filho em frente a televisão o dia todo. Se esse é o caso, isso precisa ser mudado", orienta Jack Shonkoff.


6. A Educação Infantil deveria ser o ponto central do processo educativo

  Além de ser a fase em que o cérebro é mais plástico e sensível aos estímulos, é entre os três e os seis anos que são formadas as estruturas cerebrais relacionadas à função simbólica. "É a capacidade que só nós, humanos, temos de simular, de representar na nossa mente, percepções, pensamentos e experiências", explica a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima. Quer ver isso em ação? Quando você ouve a palavra cachorro, o desenho de um cachorro "aparece" na sua cabeça, certo? 

   "É a função mais importante da espécie, porque permite reorganizar dados e imagens que temos em nossa memória em novas ideias", diz ela. A função simbólica é a base para todo o aprendizado posterior. Por isso, a Educação Infantil é considerada hoje o ponto central do processo educativo. "Os pais deveriam investir em Educação Infantil, no desenvolvimento do cérebro da criança. A diversificação de experiências nessa fase forma estruturas cerebrais que vão valer para a vida toda e o resultado desse investimento vai aparecer lá na frente", explica Elvira. 

   A escrita, por exemplo, acontece a partir da função simbólica. A criança pode aprender a desenhar letras sem saber escrever, pois para dominar a escrita, é preciso entender a correspondência entre a forma das palavras e seu sentido. "É semelhante ao caso da criança que aprendeu a contar, mas não consegue aplicar essa informação. Ela pode contar até mil e não saber o que aquilo significa. O aluno lê um problema e depois pergunta "é de mais ou de menos?"", diz a pesquisadora. 

   Todo mundo desenvolve a função simbólica, porém sua riqueza e dimensão dependerão da qualidade e da diversidade das experiências que as crianças vivenciam. "Atividades como brincadeira, música e desenho são ótimas: é quando a criança cria sua própria realidade, constrói significados, faz ligações de sentido…", orienta.


7. A imitação é a principal estratégia de desenvolvimento até os 6 anos

  Você já ouviu a frase "uma ação vale mais do mil palavras"? Pois a neurociência tem a prova científica de que isso funciona - ao menos para as crianças. 

   Quando elas observam os adultos, o cérebro está a mil. "O que a criança vê está sendo trabalhado e fixado pelo cérebro", explica a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima. Os responsáveis por esse feito são os chamados neurônios espelho. "Eles leem o comportamento e não o discurso. Se você mostrar a língua para um bebê, ele mostra a língua em seguida, mesmo ainda sem ter consciência de seu próprio corpo", explica. 

  É importante que pais se lembrem de que as crianças estão formando comportamentos a todo momento e que façam parte desse momento tão rico para o aprendizado. "Separe tempo para os filhos. Pode ser breve afinal, sabemos que ninguém muda de um dia pro outro. Tenham tempo para a conversa e, principalmente, para a escuta", orienta Elvira. 

 Ela recomenda estabelecer um tempo para trocar a televisão por uma atividade prazerosa. "Não precisa ser uma atividade que envolva dinheiro: ir ao parque, ouvir uma música, ler um livro... Atividades manuais, como brincar com massinha ou fazer brigadeiro, também são boas para o desenvolvimento cerebral", diz.


8. As crianças precisam de interação com adultos

   Quando um adulto interage com o bebê, diversos neurônios no cérebro do pequeno formam novas conexões entre si. "Você sorri, a criança sorri. Você faz um barulho, a criança faz um barulho. É esse jogo de ação e reação que literalmente molda a arquitetura do cérebro", explica o diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, nos Estados Unidos, Jack Shonkoff. 

   A interação com os adultos é o principal ingrediente para o desenvolvimento saudável das crianças, pois elas não conseguem aprender sozinhas automaticamente. Quando lemos para as crianças, mesmo que elas ainda não saibam ler, estamos trabalhando a área do cérebro relacionada à linguagem. "O cérebro começa a fazer associações, de que há algo entre aquelas sons e as linhas e as páginas", explica Shonkoff. 

   A necessidade do estímulo aparece muito na questão da leitura, aliás. Um estudo mostrou que crianças de 3 anos já possuem diferenças grandes em relação ao número de palavras que conhecem. "Esse dado depende do estímulo em casa, ele varia se o ambiente é alfabetizador, se os adultos conversam com as crianças", diz Shonkoff, mostrando que as barreiras para o sucesso educacional aparecem cedo, já que o tamanho do vocabulário é um indicador da facilidade com que ela aprenderá a ler. "Temos de intervir muito antes de elas começarem a ir para a escola. Daí a importância do estímulo da família no desenvolvimento das crianças. É preciso conversar com elas, explicar para elas o que está acontecendo e não apenas repetir ‘’Não faça isso ou não faça aquilo’’", alertou.


9. A tecnologia não substitui o estímulo presencial

   A experiência concreta da criança no espaço é fundamental. "Muitos desses brinquedos mais caros e tecnológicos são enrijecidos e fechados: não possibilitam que a criança possa imaginar e transformá-los". Os melhores brinquedos são aqueles não muito estruturados, que dão liberdade para a criança fazer o seu faz de conta. "Massinhas, fantoches e até caixas de papelão encapadas são ótimos!", aconselha Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano. 

  As crianças adoram o tablet, claro. Mas muitas vezes, os pais não têm informação sobre os benefícios e os riscos da tecnologia. "Muitos acham que estão contribuindo para o desenvolvimento da criança ao oferecer dispositivos como o iPad, porém, quando substituem o face a face pela tecnologia, estão tirando da criança a oportunidade de interação, que é muito importante", explica Elvira. "O cérebro que recebe diretamente um olhar e que experimenta o face a face se desenvolve de maneira diferente daquele que só recebe estímulo por meio de algum dispositivo tecnológico", afirma. 

  Esse prejuízo aparece no futuro. "Há jovens bem formados que não conseguem gerenciar pessoas, porque não desenvolveram habilidades emocionais necessárias para lidar com o outro", aponta Elvira.

Chiclete?










    Ninguém sabe ao certo quando o homem começou a mascar resinas extraídas de árvores, mas há registros históricos de que vários povos da Antiguidade, como os gregos, já tinham esse costume. O hábito também era comum no continente americano, antes mesmo da colonização européia. O látex do sapotizeiro - árvore que dá o sapoti - era usado como goma de mascar pelos maias e astecas, entre outras civilizações pré-colombianas. A essa resina os nativos davam o nome de chicle. A guloseima que conhecemos hoje surgiu no final do século 19. Mais precisamente em 1872, ano em que o inventor americano Thomas Adams fabricou o primeiro lote de chicletes em formato de bola e aromatizando as resinas naturais com extrato de alcaçuz (planta da família das leguminosas e do gênero Glycyrrhiza que possui raízes adocicadas, ricas em glicirrizina e das quais se extrai um xarope usado em confeitaria, em medicamentos para tosse e na produção de alguns tipos de cerveja). Nas décadas seguintes, ele abriu várias fábricas para atender a demanda crescente dos consumidores americanos pelo novo produto.
     Em meados do século 20, especialmente após a Segunda Guerra (1939-1945), as resinas naturais foram substituídas por substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. "O motivo para essa troca foi o custo de fabricação, já que a resina natural é muito mais cara que a borracha sintética", diz o engenheiro químico Múcio Almeida, gerente de desenvolvimento de produtos da Adams do Brasil. A partir da década de 1960, surgiram os primeiros chicletes sem açúcar, que, segundo os fabricantes, além de diminuírem os riscos de cáries, ajudam a manter os dentes limpos, pois estimulam a produção de saliva, que remove partículas de alimentos. Com ou sem açúcar, é bom tomar alguns cuidados com essa guloseima. Crianças pequenas que engolem a goma correm o risco de ter as vias aéreas bloqueadas ou de ter interrompido o fluxo intestinal. Outro alerta: mascar com a barriga vazia pode causar problemas estomacais, pois há um estímulo desnecessário à produção de enzimas gástricas.

Passo-a-passo do processo de fabricação do chiclete:

1º- O primeiro passo é a produção da goma base. Ela tem como ingredientes: borracha sintética e parafina (ambas derivadas do petróleo), óleos vegetais (são substâncias emulsificantes que dão liga a mistura) e antioxidantes (conservantes químicos). A mistura ainda leva carbonato de cálcio para dar mais volume.

2º- A goma base vai para as fábricas de chiclete propriamente ditas, onde é derretida e a ela adicionados outros ingredientes como: açúcar ou adoçante, aromas, corantes, ácidos cítricos (naqueles chicletes que possuem um sabor azedinho) e glicerina (substância que dá liga ao produto).

3º- Pronta, essa mistura é despejada em placas para esfriar e endurecer, depois a mistura é cortada em tiras e então fatiada no tamanho exato que cada chiclete terá.

4º- Alguns chicletes possuem uma casquinha crocante em volta da goma, para formá-la, os chicletes já fatiados são banhados em um xarope feito de açúcar ou adoçante e amido.

5º- A última etapa é a embalagem e comercialização do produto.

Após esse longo processo, o chiclete está pronto para ser consumido. É só mascar e se deliciar com seus sabores.






http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surgiu-e-como-e-feito-o-chiclete
http://chicleteiros-chicleteiros.blogspot.com.br/2011/09/fabricacao-do-chiclete.html

Ser Educador


Ser educador é exercer a mais refinada profissão. Um profissional na arte de melhorar o ser humano, um missionário no desenvolvimento da consciência. Ser educador é verdadeiramente estar comprometido com as pessoas, não somente com o conhecimento, mas acima de tudo com o bom uso desses conhecimentos. Existe uma diferença entre ser professor e ser educador. O professor é um profissional comprometido apenas com o conhecimento e conteúdo. O educador é um profissional comprometido com o conhecimento a fim de evoluir a consciência do ser humano na sua complexidade. 

Uma sociedade é formada por indivíduos muitas vezes, cheios de culturas, muitos conhecimentos, muitos argumentos e sem nenhuma consciência. Esta pessoa teve no seu convívio escolar um professor e não um educador. Ela aprendeu os conhecimentos de forma superficial e faz o mesmo uso na sua vida. No momento atual, as escolas estão carentes de educadores, carentes de consciência e carentes de valorização. Ser professor significa distanciar-se da sua real função na educação, e ligar-se no mundo do saber muito e comprometer-se com pouco. Este pensamento leva o professor a separar-se de sua missão e ver que o resultado do seu trabalho não é sua responsabilidade. Sua mente é parada, pensa que sabe tudo e não precisa aprender mais. 

O educador sabe que seu o maior desafio é aprender sempre com seus educandos, pois, eles são gerações mais atualizadas do que a sua. Na visão dele, estas crianças são evoluções dos seres humanos. O educador sabe que somente com bom uso do conhecimento pode chegar a desenvolver nestes estudantes grandes consciências. O maior aliado do educador é o tempo. Sabe que grandes construções levam muito tempo e por isso a importância da confiança depositada nesta missão. Vendo a educação de hoje, percebe-se a necessidade urgente de educadores. Ser educador é ir além, é resgatar consciência, começando primeiramente com a sua própria. Aqui está o primeiro grande desafio da profissão, e muitos fazem a opção de serem apenas professores.

Estas palavras têm o intuito de chamar a consciência dos professores, para olharem a sua profissão, e ver a fundamental importância que ela exerce numa nação. Ver que sua profissão forma grandes sociedades. E ao contrário disso, também contribuiu para a deformação de muitas. A função do professor consciente é de resgatar e perceber sua importância na sociedade que está inserido. Ele precisa se perceber e transformar esta profissão em educadores de consciência. Desta forma estará exercendo o verdadeiro papel na prevenção social tão desejada, contra futuros profissionais inconscientes de suas funções. Educar as crianças é o mesmo que prevenir grandes desordens do futuro. Não há outro caminho a ser seguido.

Ser educador é trabalhar o desconhecido que mora dentro de cada criança, de modo que se torne claro aos seus olhos, para que assim se possa crescer. E ver a sua maravilhosa contribuição numa sociedade consciente e melhor. “Professor esta na hora de perceber dentro de si o que é ser verdadeiramente educador”. Valorize sua profissão e reconheça a sua função, que o reconhecimento que tanto se espera de outros comece primeiro com você. Reconheça os grandes educadores que contribuíram para que você hoje pudesse assumir esta profissão. E principalmente reconheça em você, o grande profissional que você se tornou. Trabalhe consciente que o reconhecimento tanto pessoal quanto profissional será uma realidade.

Rosangela Cristina da SilvaRosangela Cristina da Silva
serintegraltol@brturbo.com.br
www.institutoserintegral.com.br

Fonte: http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/ser-educador-2289/artigo/#.U9K9L_ldXwg

Doenças Gastrointestinais - Cirrose

A formação de nódulos e de fibrose no fígado caracteriza um quadro de cirrose, doença comumente associada ao consumo desmedido de álcool e a algumas doenças, como a hepatite C e a hepatite B. Num caso de cirrose, as células do fígado são destruídas e o órgão tem suas funções comprometidas ou mesmo paralisadas.


Fatores de risco

O consumo de álcool em excesso, o alcoolismo e o contágio por hepatite, principalmente hepatite C, aparecem como os principais fatores de risco para o problema. Hepatite B é outro fator de risco, assim como o consumo de alguns tipos de medicamentos.

Diagnóstico de Cirrose

O diagnóstico de cirrose combina avaliação médica, realização de exames laboratoriais e de exames de imagem, como o ultra-som. Em alguns casos, é necessária a realização de biópsia das células do fígado, para avaliar também o desenvolvimento de um possível câncer.

Tratamento de Cirrose

A reversão da cirrose ainda não se mostrou viável. O tratamento consiste em medidas para evitar o avanço do problema. A cura da cirrose, atualmente, só é possível a partir do transplante de fígado. No que se refere à dieta, é indicado evitar o excesso de sal, frituras e carne vermelha. O consumo de álcool é completamente proibido e as refeições devem ser realizadas sempre em pequenas porções, divididas ao longo do dia.

Consequências da Cirrose





A melhor prevenção das cirroses de origem viral é através da vacinação contra Hepatite B, dos rigorosos critérios de controle do sangue usado em transfusões, do uso de preservativos nas relações sexuais e do uso individualizado de seringas pelos usuários de drogas injetáveis. Destas formas, a cirrose causada pelas hepatites B e C podem ser minimizadas.

É necessário o tratamento dos portadores das hepatites crônicas B e C, antes que evoluam para cirrose. E nos portadores de cirrose inicial, para prevenir que cheguem a estágios mais avançados.

No caso do álcool, deve-se evitar o seu uso excessivo. É exigida a parada total do seu consumo em indivíduos com hepatite B ou C.

Apesar de apenas uma minoria das pessoas que bebem demais terem cirrose, o risco aumenta proporcionalmente à quantidade e ao tempo de consumo. Não é possível precisar que quantidade de álcool causará cirrose em determinada pessoa, entretanto, doses acima de 20g de álcool por dia, o equivalente a duas latas de cerveja ou duas taças de vinho, ou duas doses de destilado, são suficientes para, em certos homens, causar doença. Em mulheres, a metade desta dose, ou seja, 10 gramas de álcool por dia, já pode provocar cirrose.

Deve-se lembrar que pessoas aparentemente “resistentes” ao álcool, ou seja, que ingerem frequentemente bebidas, porém não ficam embriagadas (bêbadas), podem não ter o fígado tão resistente, e desenvolver cirrose sem nunca terem ficado bêbadas.

Leia Mais: Cirrose | ABC da Saúde http://www.abcdasaude.com.br/gastroenterologia/cirrose#ixzz37vhegAsB 
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ELEIÇÕES 2026 X ESCOLA LAICA

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